Sempre o Angolano com as responsabilidades humilhantesCompletamos um ano desde que o novo Governo tomou posse, após as eleições legislativas de 2008, ganhas pelo MPLA com uma maioria surpreendente, de quase 82%. As eleições de 2008 assemelham-se muito às eleições do Afeganistão, até as irregularidades assemelham-se, sendo que a diferença está no facto de que em Angola ninguém pediu a recontagem dos votos, nem ninguém sabe se na verdade existiram os tais quase 8 milhões de eleitores já que não houve cadernos eleitorais, tudo correu de feição para o resultado obtido. Também nunca ninguém se preocupou em apurar os cadernos eleitorais. Resultados são resultados, mas infelizmente o MPLA também não contava com este surpreendente resultado cozinhado pela Casa Militar. O balanço que podemos fazer não obstante os argumentos da crise financeira é de um desempenho negativo, longe de ser comparado com o desempenho do GURN – Governo de Unidade e Reconstrução Nacional e não porque saíram os membros do Governo da oposição, até porque estes pouco ou nada faziam, com poucas excepções, tais como o Ex-ministro da Saúde, os Ex-Governadores do Kuando Kubango e Lunda Sul. A razia fez-se mesmo no seio dos quadros do próprio MPLA. Primeiro começou-se pelo famoso plágio do Dr. Manuel Júnior do programa da ex-equipa económica, assumindo-o como seu o que nada enaltece a veia académica deste quadro; retirou o trabalho da Ministra do Planeamento e apresentou-o como se ele fosse o autor, um acto condenável e vergonhoso. Iniciou-se a liquidação de todos quadros que brilhavam interna e internacionalmente. Só para exemplificar, a saída de Ministros muito competentes e alguns Vice-Ministros, e embora alguns ainda continuem no Governo como a Ministra Ana Dias Lourenço, foi-lhes dado um lugar de prateleira, sem nada para fazer, sujeitos a tal humilhação. Muitos Vice-Ministros foram colocados numa posição de “faz-de-conta” para dentro em breve serem exonerados alegando incompatibilidades com os respectivos titulares, muito deles incompetentes e complexados, que unicamente servem os interesses da equipa monitorada pela Casa Militar. A nova filosofia é que no novo Governo ninguém deve pensar nem opinar porque tudo já está pensado ou já existem pessoas a pensar na Casa Militar e sectores correlacionados. Optou-se por trazer ao Governo, ministros novatos e inexperientes, sem carisma e sem conhecimentos técnicos suficientes para as funções para as quais foram nomeados. Citar nomes seria necessário porque a lista é grande de novos ministros, mas também é fácil descortinar tal lista; aumentou-se o número de mulheres sem que para tal tenham as competências requeridas para as funções com pequenas excepções como, a título de exemplo, a Sra. Ministra do Comércio, que tem conhecimento suficiente para a função para o qual foi nomeada. Até parece-nos que o Governo actual não foi feito por José Eduardo dos Santos, mais sim por uma equipa ao seu redor que o que quer é comprometê-lo completamente. As exonerações vão continuar e todos que tem algum carisma e competência profissional serão exonerados e transferidos para outras áreas ou ficarão fora do Governo. Outros serão acusados de corruptos para justificar a sua exoneração; até alguns Ministros de primeira linha serão tocados muito brevemente, e com processos em tribunal – muitos já não poderão entrar no congresso, para não atrapalharem a manobra de “limpeza interna” no partido. Ninguém está distraído. A partir de agora só fica no Governo quem não opina, que não pergunta, quem não comenta, quem não trabalha, de preferência incompetentes e que cumprem à risca o que foi pensado e ordenado pela Casa Militar, onde de facto está o poder real, porque este já não está, infelizmente, nas mãos do Presidente da República. Todo o expediente vai à Casa Militar; até Ministros como o da Defesa e do Interior, só são recebidos pelo Presidente da República se o Chefe da Casa militar assim o decidir. Kopelipa, faz e desfaz, inicia aeroportos, pára as obras e depois obriga o Conselho de Ministros a aprovar o que quer e o Governo assina por baixo. Enfim, este General pode fazer tudo em Angola, tudo, mesmo tudo, nem o Presidente tem tanto poder. O perfil dos actuais membros do Governo é de total obediência e submissão à Casa Militar: quem não se enquadrar neste perfil é exonerado imediatamente, é só ver o caso do Ministro Sita José. Com a chegada do congresso, a máfia instalada na sede do MPLA, encabeçada por Jú Martins e Virgílio de Fontes Pereira, em coordenação com a Casa Militar, vai fazer mudanças de Ministros e Vice Ministros e estes serão acusados do insucesso do Governo neste primeiro ano, outros serão acusados de promiscuidade em negócios particulares, outros ser-lhes-á movido processos crimes, mas para os “obedientes”, mesmo sem nunca terem tido uma actividade militante no partido, serão promovidos a Primeiros Secretários provinciais e alguns irão directamente para o Comité Central e Bureau Político, como forma de reconhecimento da sua bajulação ao Chefe. Quem não cumprir com este perfil chega à direcção do Partido e nem sabemos se vai ao congresso. Os delegados serão escolhidos a dedo para aprovarem em uníssono as propostas já cozinhadas com apoio da Casa Militar. Governadores com bom desempenho como Aníbal Rocha serão exonerados e possivelmente mandados para Embaixadas: ninguém pode brilhar para não ofuscar a sucessão presidencial. A elaboração da lista para o futuro Comité Central será fruto de negociatas e alguns terão de pagar. Os mais velhos do Bureau Político serão acantonados e alguns vão ficar só para fazerem a decoração até serem final e completamente eliminados. Alguém está interessado em partir o MPLA e constataremos isso no futuro próximo. A partir de agora faremos artigos de análise com periodicidade semanal, sobre a governação bem como dos meandros dos Partidos Políticos e como podem compreender, até Dezembro, a nossa atenção será dedicada ao MPLA, aos membros do seu Secretariado.

mbanje wordpress